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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Livremente Presos



Quando tivemos a idéia desse blog, decidimos que teria um carater cultural, argumentador, filosófico para que,voces leitores, pudessem discutir o assunto, ( positivamente ou negativamente), entender melhor algum caso, e até ter um local onde você pudesse expor seus pensamentos acerca dos temas. Fiquei encarregado de criar o blog e juntos, faríamos os textos, analisaríamos os comentários e etc.. Como todo blog, site, mural, ou qualquer meio de informação visual-auditiva, precisávamos de um nome. Ficamos uns 3 dias eu, Ozzy e Douglas pensando em um nome que nos representasse. Nada saía e, quando saía, eram idéias muito exageradas. Então certa noite, voltando da UFS, tive uma epifania. Eis um texto que relata em síntese, esta epifania.


Século XIX

1808. A familia real deixa Portugal e desagua em terras brasileiras. 1822. Nosso " amado, idolatrado, patriota, honesto, justo, decente" D.Pedro de Alcântara, proclama a independencia. Festas e mais festas. Comemorações atrás de comemorações. Depois de quase 310 anos, enfim, o Brasil voltava a ser livre. Mas ainda preso as decisões financeiras e políticas de Portugal.

1888. O Brasil, enfim, se livra da sombra de Portugal. É proclamada a república. Mas ainda eramos presos a rigidez do Marechal de ferro, Floriano Peixoto. Éramos livres de Portugal. Mas continuávamos presos a ordens.

Existem mais exemplos que poderiam ser dados ( Preciso lembrá-los da Ditadura e os atos institucionais?? E também a propaganda do "Brasil: Ame-o ou deixe-o!"??). Mas me atenho a esses por agora. Nossa história está repleta de falsas libertações. Se somos livres, por que somos obrigados a fazer coisas?

Nossa Constituição ( novinha até, 1988) diz que somos livres, desde que arquemos com as consequencias de nossas ações. Mas, peraí... se somos livres, por que somos obrigados a, nós homens, se alistar? E votar? Ah! é importante pro país. Não votar é mostrar antipatriotismo. Agora amiguinhos, vamos subir um pouco em nosso continente, e chegarmos até os E.U.A. Eles são super patriotas não são? E olha só: Eles não são forçados a votar, e ainda sim vão em montes às urnas. Eles não são forçados a se alistar, ma tem uma enorme tropa.


Vamos agora aos dias de hoje. Vou provar agora que até quem nem pensou em política , história, está preso.

Você quer escutar uma música. Você gosta da música. Considere que o volume não é perturbador. Seus amigos não gostam da música. Até ridicularizam você. E o que você faz? Se tranca, se esconde pra poder ouvir. Você é meio que forçado a gostar do que a sociedade anda gostando.

No trabalho, existem empresas que IMPEDEM o contato com seu colega de trabalho. E cadê o papo de poder se expressar livremente??

Você deu " azar" na vida. Não completou os estudos. Mas tem que sustentar a familia. planta, colhe e vai vender na feira. Você tem que " pagar" sua barraca. A burocracia exige isso. Isso é ser livre? E se você mal tem o que comer?

No entanto, comerciais e mais comercias apontam a liberdade que temos aqui. Tá, aqui não é nenhuma Coréia do Norte. Mas , se você pensar bem, existe liberdade onde se tem que esperar a boa vontade de outra pessoa pra permitir ou não algo que você queira saber? Parecemos bebes em cercadinhos, podemos fazer "tudo que quisermos", desde que, não ultrapasse o cercadinho. Assaltantes, marginais na rua e a gente trancafiados em casa com grades, alarmes, cercas elétricas. E somos livres. Livremente Presos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Were are now, Etertain us

Kurt Cobain (20 de fevereiro de 1967 - 05 de abril de 1994)
É fato. A juventude está cada vez mais acustumada a essa vida de descasos para com o país. Por mais que vejamos estudantes em protestos, ainda assim somos uma parcela muito pequena. Enquanto muitos de nós apenas dizemos que não gostamos - E não tomamos atitudes- a gente sofre. O povo hoje está brigando pra retirada de muitos ditadores. Mas a nossa juventude no geral, está parada. Onde estão, aqueles jovens da ditadura, que lutavam pelos seus direitos de libertade? O nome desse blog reflete muito bem o que somos hoje: somos livres, porém uma liberdade "controlada". Programas na tv que não mais nos inspiram a lutar, comodidade nas ruas. A gente tá esperando sermos servidos pelo governo. E, não esperem um banquete, pois, vão nos servir cada vez pior. E vamos continuar deixando. Eu espero que não. Apesar que isso já vem acontecendo desde os anos 90 (se não antes). A prova disso é o que vem a seguir. Muitos concerteza já devem ter ouvido falar sobre a banda Nirvana. E mais ainda , da sua música mais marcante: Smells like teen spirit. Apesar de parecer um som barulhento e sem nexo, vou -lhes dizer o que significa cada estrofe. E veja se, mesmo em 1990, a interpretação não nos lembra hoje.

Smells Like Teen Spirit

Load up on guns and bring your friends

it's fun to lose and to pretend

She's overbored and self assured

oh, no, I know a dirty word

Kurt inicia a música aparentando cansaço, indiferença e uma sensação de vulnerabilidade, algo marcante em sua obra. Neste refrão ele sintetiza nossa juventude capitalista, nossa vontade mandar aquele “boy” ou “paty” ao espaço quando eles falam de suas novas compras ou de suas falas irrelevantes, e somos obrigados a nos calar, pois muitos ao nosso redor abaixam a cabeça e aceitam ser perdedores ao bajular o sonho de consumo que poucos podem possuir e se orgulham falando a respeito do objeto de alguém. Assim, é interessante observar o verso “Ela está chateada” porém auto-segura, ou seja, ela está chateada as vezes pelo fato de outras pessoas não possuírem o que ela tem contudo não abre mão disso, algo comum nas escolas onde aprendemos pela primeira vez a diferença entre as classes, o conflito de interesses.



hello, hello,hello,how low


hello,hello, hello,how low


hello,hello,hello,how low


hello,hello,hello.....



with the lights out its less dangerous


here, we are now, entertain us


I feel stupid, and contagious


here, we are now entertain us


A mulatto, An albino, A mosquito My libido


Yeh!


Yay......Yay!



Reparem neste verso o modo como Kurt expressa as palavras de modo crescente explodindo em “with the lights out its less dangerous”, aqui ele sintetiza toda sua indignação, com a realidade ao seu redor, pois no meio social é mais fácil imitar a atitude que a sociedade convenciona do que expor aquilo que realmente sentimos. Kurt fala também da industria cultural, que padroniza os meios de comunicação e de cultura a sua maneira, assim produz musicas vagas, filmes cada vez mais estúpidos, que divagam sobre os mirabolantes efeitos especiais e esquecem do roteiro, dos livros tipo Ágata Cristie, etc. “Estou aqui agora, me entretenha”; Kurt consegue sair destas amarras e se sente estúpido e contagioso por falar agora de coisas que outros não conseguem ou não querem ver, assim vai falando do mulato, do albino, do mosquito, de sua libido, que não se estão excluídas do todo, como se não fizessem parte dele, não se entretêm com o show da realidade que é mostrado. Muito do que Kurt consegue expressar neste refrão tem origem na sua infância humilde, que não estenderemos aqui, talvez em outro momento, porém as pessoas que passam por necessidades são as mais humildes, pois aquilo que é material a eles não tem tanta importância.


I'm worse at what I do best


And for this gift I feel blessed


Our little group has always been


And always will until the end


Aqui Kurt pausa um pouco a música e de maneira calma contra um pouco sobre o seu isolamento proposital, fala um pouco da turma com a qual se relaciona, que se sente feliz estando do lado de individuos que não concordam com a realidade a que pertence, e discute a abstração das pessoas, que não está apenas no fato de não perceberem a realidade ao redor, mas também no fato de pouco poderem fazer para mudar, tendo em vista que não possuem os meios para isso, no entanto, eles sentem um orgulho natural de não se renderem, de não compactuar com a sociedade de consumo, mesmo que sofram a coerção da mesma, sendo taxados de vagabundos, maconheiros e outros palavrões.


And I forget just why I taste

Oh yeah, I guess it makes me smile

I found it hard it's hard to find

Oh well, whatever, nevermind


Uma calma irritante e uma confissão, fechando a musica nos afirmando que é difícil entender aquilo que ele tenta dizer, ele mesmo demorou para encontrar esta verdade, mas que isso hoje o faz sorrir pois consegue viver longe da necessidade de imitar os outros ao redor, consegue agora ser ele mesmo. Atualmente, o homem vive mais preocupado com as forças sociais que estão levando a sociedade para onde ele não sabe ou para onde ele não gostaria que ela fosse. O individuo tem que se submeter aos quadros sociais os mais diversos possíveis. A cultura em que vive dita-lhe os modos de agir e trabalhar, as mínimas relações são regidas pelo social, se ele foge a isso, a as outras pessoas o olhariam com espanto, com ironias, curiosidade, o atacariam moralmente, afetando o conceito dele no futuro. A repressão se repercute indiferente de nossa intenção. A nova postura de Kurt em relação à sociedade com toda certeza num primeiro momento foi de liberdade, mas depois teve de suportar a repressão e dialogar consigo mesmo se valeu à pena.

É isso. Pensem jovens, queremos ter a mesma apatia? Lembre-se que as ações que fizermos terão resultados pra nossos filhos. Ah.. quanto o Denial repetido varias vezes no final da canção? Denial significa rejeição, negação. Acho que vocês podem tirar suas conclusões disso.



Baseado e alterado em :
http://www.blogtemposmodernos.com.br/2007/01/smells-like-teen-spirit-indignaao-mais.html

sábado, 30 de outubro de 2010

Choque Cultural


O contato entre índios e brancos não foram dos melhores. A hostilidade e o sentimento de superioridade dos brancos europeus eram uma constante. Mas o que surpreende é que ainda hoje o contato entre etnias diferentes continuam a favorecer os " civilizados" e os grupos tribais ainda hoje são colocados em segundo plano pelas autoridades.

Fazendo uma analogia com o contato entre pessoas diferentes, a hostilidade, o sentimento de superioridade também é uma constante. Parece que o passado de infortúnio, repressão e

ignorância foram esquecidos e o respeito acaba passando longe, sendo deixo para trás.

A arrogância e a prepotência dos colonos acabou fazendo dos índios vassalos da coroa, chegando a serem escravizados pelos colonizadores "civilizados". O governo português que proibia a escravidão, autorizava a " guerra justa contra os índios hostis e arredios", escravizando os que caíssem prisioneiros, o que ratifica a onipotência da coroa em relação aos índios.

Esta arrogância, soberba, ligados a ambição acaba resultando num declínio da cultura indígena, um verdadeiro genocídio.

Comparando com a sociedade atual, mais uma vez a falta de respeito e a intolerância por parte das pessoas " diferentes", ocasionará em uma repressão em que o subjugado poderá perder seu jeito de ser por falta de bom senso. Por isso , o respeito às diferenças é imprescindível para aqueles que de fato são seres " civilizados".