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terça-feira, 13 de março de 2012

Queda de Ricardo Teixeira: vitória do futebol

De forma inesperada, no dia 12 de março, o chefe supremo do futebol brasileiro – sorte do mundo, poderia ser chefe supremo do futebol mundial, uma vez que era nome certo para disputa da presidência da FIFA – se despede de forma melancólica do seu modesto trono, em meio ao tradicional olhar suave e discurso de vítima: pobre coitado ficara 23 anos no comando da mercenária CBF; dono de um currículo de dar inveja aos maiores gângsteres da história! Puxou o sogro, João Havelange, no gosto de poder, se reelegendo quatro vezes consecutivas; não esquecendo as afávei$ contribuiçõe$ da Rede Globo para suas falcatruas, no famigerado “troca-troca” de favores: emissora boicotava as denúncias contra o mafioso, sempre que possível, recebendo em troca privilégios de transmissões, escolha de horários para os jogos, incluindo o modelo dos campeonatos!

Porém, como diziam os poetas românticos, “nada é para sempre!”, vejamos: o trono de Ricardo Teixeira, em termos substanciais, começou a balançar quando fora acusado de apoiar Mohamed bin Hamman nas eleições da FIFA, contrariando Blatter, que rebateu: “Platini é meu sucessor ideal”. Para piorar, seu nome vem sendo conhecido no círculo da máfia mundial, em meio aos sucessivos escândalos: lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, apropriação indébita, corrupção envolvendo pagamento de propinas da empresa de marketing ISL à FIFA. A última das acusações foi o superfaturamento num amistoso, no ano de 2008, entre Brasil e Portugal.

Quando perguntado sobre as acusações pela revista Piauí, respondera com nariz empinado: “CAGUEI MONTÃO”. Sua figura caricata falava em se preocupar com estas acusações, só depois de vê-las passar no Jornal Nacional!

Em tempos de queda de ditadores, que se vá mais um: CARTÃO VERMELHO PARA TEIXEIRA!

Infelizmente, nem tudo são flores: José Marin – amigo do Maluf, devoto de medalhas, governador biônico nos tempos da ditadura – ficará em seu lugar, prometendo dar continuidade ao trabalho do Ricardão: mas que trabalho, além de uma péssima administração, a qual faz do futebol brasileiro amador em comparação ao futebol europeu? Uma administração atrasada quando se fala em democratização do futebol brasileiro, retrógrada quando levado em consideração a importância do nosso futebol para o mundo, o qual se vendeu barato para o neoliberalismo, que o Teixeira fomentou enquanto dono! Administração que não se preocupou com a soberania do Brasil, enquanto sede da Copa de 2014 – 70 mil pessoas já foram removidas das suas casas, localizadas próximas dos estádios que irão sediar a Copa, sem contar os despojos públicos que foram arrancados da nossa classe trabalhadora, para enriquecer os amigos do dinheiro e inimigos do nosso povo, o qual fora condenado a amar futebol.

Ficaremos no 0X0?

Se deliciem com o vídeo do novo dono do futebol brasileiro:

http://www.youtube.com/watch?v=LkjnDI-UP-s


domingo, 27 de novembro de 2011

Por Frei Betto: “A FIFA é um cassino; como num cassino, muitos jogam, poucos ganham; quem jamais perde é o dono do cassino”.



O frade dominicano, Alberto Christo, o frei Betto, se une nas criticas às desonrosas exigências da FIFA, as quais, dentre outras aberrações, implicam diretamente com os anseios do povo brasileiro em ter acesso aos jogos da Copa de 2014; não obstante a isso, tais exigências, segundo o frade, deixaram de lado idosos e estudantes, cortando a meia-entrada destes; outras são as criticas do teólogo da libertação, que acusou a FIFA de: “desembarcar no país, com sua tropa de choque, para cumprir a singela missão de obrigar o governo a esquecer leis e costumes”.


O frade, bastante conhecido pelas ações altruístas, ao lado dos mais pobres, criticou duramente a imposição da FIFA que pleiteia acabar com a concorrência às empresas que sejam patrocinadoras do evento: a entidade deseja criar um espaço de 2 km em torno dos estádios, no qual só possam ser consumidas as mercadorias de empresas patrocinadoras do evento, além disso, tais empresas poderão ficar isentas de impostos!


Outra ferrenha crítica do frade, esta mais pessoal, uma vez que este dedicou e dedica boa parte da sua vida em função dos movimentos sociais, é a exclusão do povo de suas casas durante a competição: 170 mil pessoas serão removidas de suas moradias para que se construam estádios. Quem garante que estas pessoas serão devidamente indenizadas? Indaga o frade.


A entrada nos estádios com alimentos que não sejam das empresas aliadas a FIFA serão proibidas; a proibição de bebidas alcóolicas nos estádios, em vigor no país, deve ser quebrada para que possa ser consumida a bebida patrocinadora do evento, uma cerveja fabricada nos EUA; fim da meia-entrada; boa parte dos ingressos será vendida antecipadamente na Europa; até água será proibida, só uma empresa de fast food poderá vender seus produtos nos estádios; ainda temos de aturar a Lei de Licitações, que deturpa a lei de responsabilidade fiscal a qual limita nosso endividamento; são mais algumas das criticas do religioso.


Frei Betto acaba as criticas com o mesmo pessimismo e frustração de Romário (PSB-RJ): “A Copa não será nossa”. O povão continuará a ver Copa do Mundo, mesmo em nosso solo, pela TV, aos berros do Galvão!


Há quem diga que os teólogos da libertação, como frei Betto, são agitadores sociais; deveriam, então, líderes religiosos inclinar seus discursos apenas para a acomodação do povo, e impor do governo só aquilo que garanta, para todos, mesmo num estado laico, seus dogmas irrefutáveis?


Portanto, um viva ao frade dominicano, que dedicou toda sua vida a causa dos mais pobres e excluídos, lutando indubitavelmente pela justiça e inclusão social; se diferenciando largamente dos arrogantes eclesiásticos que abstém-se dos assuntos ligados aos direitos do povo, em preferência dos pervertidos jogos políticos, que poupam ladrões engravatados em troca da sua moral religiosa – caso Palocci e a deprimente participação (na verdade, não participação) da bancada evangélica provam tal avaliação!